domingo, 30 de agosto de 2009

29 de agosto

O dia 29 de agosto foi escolhido pelas mulheres presentes no primeiro Senale – Seminário Nacional de Lésbicas – no Rio de Janeiro em 1996 para celebrar e conquistar a visibilidade lésbica.Algo que, à primeira vista, parece meio estranho, não é mesmo? Por que homossexuais querem visibilidade? E por que só as lésbicas e não todas as minorias LGBT?Aquele grupo de mulheres reunidos no Rio acertou em detectar o principal problema que acomete as lésbicas em especial: somos invisíveis.
Você já reparou como, sempre que se fala de homossexuais, as pessoas pensam em homens, não em mulheres? Tanto para criticar – “Que pouca vergonha dois homens se beijando” – quanto para admirar – “Como eles ganham acima da média” ou “Como são chiques” – não é verdade que em geral quem comenta tem na mente apenas eles?Você já percebeu como, sempre que há grupos, reuniões, seminários para gays e lésbicas, quem fala e preside e dá entrevistas são os homens? Como os produtos e serviços oferecidos para gays e lésbicas só imaginam o conforto, o gosto, as preferências dos gays, nunca das lésbicas? Observe as fotos dos sites gls e lgbt se não acredita em mim.
O único momento em que lésbicas aparecem mais são nos filmes pornôs, já que duas mulheres – de unhas longas, cabelos tingidos e gritos hilários de tão inverossímeis – costumam ser parte integrante da fantasia dos homens heterossexuais.Nós realmente somos um grupo que desaparece, tanto para a sociedade em geral como dentro do movimento lgbt e da indústria gls.
Mas antes que alguém ache que estou numa tirada chororô-vítima (que eu detesto), deixe-me dizer que a responsabilidade é nossa mesma, das lésbicas.Seja por razões culturais, porque fomos ensinadas e ficar quietas e não correr atrás do que desejamos, seja por razões biológicas, já que somos menos agressivas (em média) que os homens, o fato é que somos um grupo mais silencioso e ausente da vida pública.Se algum local abre dirigido a gays e lésbicas, quem aparece lá nas horas seguintes são os gays, curiosos e aventureiros. Se algum site oferece um produto, os primeiros a comprar são os homens.
Numa reunião de militância sempre comparecem mais gays e eles quase sempre se posicionam com mais veemência do que as mulheres. Transgêneros nascidos XY também, por alguma razão que desconheço, partilham desse espírito mais corajoso e atirado em tudo, colocando a cara para bater (e sofrendo represálias, discriminações e violências) com muito mais frequência do que as mulheres.Por outro lado, o fato de sermos mais discretas como grupo não significa que a gente não exista ou não saiba o que quer. Tanto que criamos o dia da visibilidade lésbica e, em várias cidades brasileiras, a data será comemorada com uma série de eventos interessantes, feitos e dirigidos especialmente para nós. Rio de Janeiro e Porto Alegre, por exemplo, capricharam em programações múltiplas,.
Se você é lésbica ou bissexual, compareça! Vença aquela vontade de ficar em casa aninhada com seu amorzinho e junte-se às mulheres que fazem questão de mostrar à sociedade que existimos e somos bem diferentes dos homens! Se existe uma coisa que as paradas do orgulho conseguiram provar é a importância da visibilidade para obtermos conquistas.Se você estiver em São Paulo no dia 29 de agosto, convido-a para o aniversário da Editora Malagueta, a primeira dirigida a mulheres que amam mulheres.
Por:
29/08 - Dia da Visibilidade Lésbica
Laura Bacellar fala sobre as origens da data e sua importância

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Lésbica: categoria em xeque


Há cinco anos, a antropóloga argentina Andrea Lacombe (MN/UFRJ) se debruça sobre as diferentes sociabilidades lésbicas. Em sua dissertação de mestrado, defendida em 2005, no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, do Museu Nacional/UFRJ, Lacombe centrou-se na masculinidade de mulheres, isto é, nas práticas performáticas que a princípio seriam pensadas como próprias e particulares dos homens e que, nesses casos, são reapropriadas por mulheres para desenvolver sua apresentação de gênero, sem que por esse motivo deixem de considerar a si mesmas como mulheres. A ser defendida ainda este ano, sua tese de doutorado versará sobre as subjetividades possíveis entre mulheres que têm relações homoeróticas. Em ambas as pesquisas, no entanto, a antropóloga prefere ressaltar que o termo “lésbica” não aparece como modo de auto-definição ou de referência entre suas informantes.
“As mulheres que entrevistei não se sentem representadas com a palavra ‘lésbica’ ou ‘lesbianismo’, por considerá-las fruto do discurso médico e político. Particularmente, penso que este termo não é tão inclusivo quanto outros como ‘entendida’ ou ‘do babado’, comumente usados por elas mesmas por darem um sentido de pertencimento” , diz Lacombe.
Sua crítica não é direcionada somente aos termos semânticos, mas também ao sistema representativo de se fazer política que, segundo a pesquisadora, cria o que ela chama de ‘compartimentos estanques’ (políticas públicas, espaços de sociabilidade, datas especiais) para sujeitos particulares com necessidades específicas. Um exemplo desses ‘compartimentos’ seria o Dia da Visibilidade Lésbica (29 de agosto), criado em 1996, durante o I SENALE (Seminário Nacional de Lésbicas), como um importante instrumento para pautar o debate sobre os direitos sociais e a cidadania das lésbicas e mulheres bissexuais na sociedade. “É preciso pensar o por quê da necessidade de ter que dar visibilidade a um assunto que supostamente deveria ficar no âmbito do mundo privado”, assinala a antropóloga, na entrevista a seguir.
Pesquisas sugerem que, assim como as outras identidades LGBT, as lésbicas (o L da sigla) têm suas especificidades, não sendo um grupo tão homogêneo o quanto se supõe. Não são iguais umas às outras e muitos sustentam a existência de um L world. De que forma sua pesquisa contempla a multiplicidade de sujeitos existentes dentro dessa identidade?
Primeiramente, eu não falaria em ‘mundo’ senão em ‘mundos’ L. Aliás, até o “L” está sob suspeita, já que no campo da minha pesquisa a palavra lésbica não possui carga semântica, está vazia de significado, não faz parte do contexto discursivo. Tanto na minha pesquisa de campo de mestrado – sobre masculinidades de mulheres – como na de doutorado – sobre os diferentes modos em que mulheres que têm relações homoeróticas vivenciam sua sexualidade –, ambas no Rio de Janeiro, este termo não aparece como modo de auto-definição ou de referência. Entendida, do babado, gay, sapatão, mulher que gosta de mulher são diferentes denominações que expressam uma multiplicidade que, por sua vez, têm algumas características comuns. O interessante é o modo em que estas semelhanças se desenham e alinhavam, ancoradas basicamente na idade e na apresentação de gênero como vetores de aproximação e cruzamento. Com ‘apresentação de gênero’ refiro-me aos marcadores físicos presentes tanto na vestimenta quanto na linguagem corporal, quer dizer, a forma com que essas mulheres se colocam no mundo. Esta convergência entre estilos que pressupõem diferentes subjetividades implica negociações que desenham critérios de normalidade no interior dos grupos e entre eles. Por sua vez, a idade como marcador denota diferentes pautas, centradas basicamente na concepção de intimidade. Neste sentido, os diferentes graus de exposição pública, como os atos de carinho, por exemplo, variam entre as mais jovens e as mais velhas, denotando diferenças no interior da própria homossociabilidade, em consonância com pautas culturais de geração, mais do que particularismos entre hetero e homossociabilidade.
Por esses motivos, acredito que conceber uma homogeneidade amparada sob o guarda-chuvas da palavra lésbica é, para mim, um problema a ser colocado tanto na arena política, quanto na construção categorial e teórica que se afasta do que acontece na cotidianidade das pessoas.
Qual a importância de um dia específico para a visibilidade lésbica?
Primeiramente, é preciso pensar o porquê da necessidade de ter que dar visibilidade a um assunto que supostamente deveria ficar no âmbito do mundo privado. A questão que está por trás deste dia é o imperativo social de tornar público um aspecto da vida privada, com o intuito de defender justamente o direito de exercer, de uma maneira visível, atos da esfera íntima. Esta demanda de tomar conta do próprio corpo coloca a sexualidade como um fator de constituição de determinados indivíduos enquanto sujeitos políticos, a partir de um modo de vivenciar sua sexualidade que não responde às maneiras modelares estruturantes de uma sociedade heteronormativa. Nesse sentido, a fragmentação e os estilhaços em que se decompõe o sujeito político, ao tentar dar conta da diversidade, apagam um fator preponderante: a possibilidade de uma prática sexual além da norma. Isto é, a meu ver, o que realmente deveria ser colocado como reivindicação na arena política. Faço eco à proposta da filósofa espanhola Beatriz Preciado em utilizar a noção ou categoria de multidões como modo de substituir a idéia de minorias sexuais para conseguir estruturar um sujeito politicamente possível, que desatrele a luta política de uma identidade única. Preciado diz que não há uma diferença sexual, mas uma multidão de diferenças, uma diversidade de potenciais de vida que não são ‘representáveis’ justamente por serem ‘monstruosas’. Estas diferenças colocam em xeque tanto os regimes de representação política em si, quanto os sistemas de produção de saber científico dos ‘normais’.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Absurdo: Rozângela Alves Justino - psicóloga anuncia que mudar a orientação sexual de gays

Enquanto batalhamos junto à sociedade pra combater o preconceito e a Homofobia, pessoas como a psicóloga Rozângela Alves Justino anuncia poder mudar a orientação sexual de gays, ABSURDO, barbárie, ridículo.
Fico indignada quando vejo posições como essa na nossa sociedade o que reforça uma série de crimes de natureza homofobica, não é por acaso que a vários anos o Brasil mantém-se, há vários anos, como um país com um dos mais altos índices de assassinatos de natureza homofobica.
Além da violência física, o preconceito e a discriminação contra a população LGBT são responsáveis por restringir-lhes os mais básicos direitos de cidadania, além do direito à livre expressão afetivo-sexual e de identidade de gênero, com forte impacto em suas trajetórias formativas de vida.
A psicóloga Rozângela Alves Justino, 50, faz exatamente o contrário. Formada em 1981 pelo Centro Universitário Celso Lisboa, do Rio de Janeiro, com especialização em psicologia clínica e escolar, considera a homossexualidade um transtorno para o qual oferece terapia de cura. Na semana passada, foi censurada publicamente pelo Conselho Federal de Psicologia (formado, segundo ela, por muitos homossexuais "deliberando em causa própria") e impedida de aceitar pacientes em busca do "tratamento".
Membro e fiel da Igreja Batista chegou a dizer que ouviu um chamado divino num disco de Chico Buarque e compara a militância homossexual ao nazismo. É mole?
Só se deixa fotografar disfarçada, por se sentir ameaçada, e faz uma defesa veemente de suas opiniões.
Em sua entrevista a revista VEJA, apresenta um serie de conceitos equivocados, e deliberadamente fora do contexto, reforçando paradigmas homofobicos e de intolerância, contrariando sua formação acadêmica.

Abaixo segue a entrevista a revista VEJA

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A senhora acha que os homossexuais sofrem de algum distúrbio psicológico?
O Conselho Federal de Psicologia não quer que eu fale sobre isso. Estou amordaçada, não posso me pronunciar. O que posso dizer é que eu acho o mesmo que a Organização Mundial de Saúde. Ela fala que existe a orientação sexual egodistônica, que é aquela em que a preferência sexual da pessoa não está em sintonia com o eu dela. Essa pessoa queria que fosse diferente, e a OMS diz que ela pode procurar tratamento para alterar sua preferência. A OMS diz que a homossexualidade pode ser um transtorno, e eu acredito nisso.

O que é não estar em sintonia com o seu eu, no caso dos homossexuais?
É não estar satisfeito, sentir-se sofrido com o estado homossexual. Normalmente, as pessoas que me procuram para alterar a orientação sexual homossexual são aquelas que estão insatisfeitas. Muitas, depois de uma relação homossexual, sentem-se mal consigo mesmas. Elas podem até sentir alguma forma de prazer no ato sexual, mas depois ficam incomodadas. Aí vão procurar tratamento. Além disso, transtornos sexuais nunca vêm de forma isolada. Muitas pessoas que têm sofrimento sexual também têm um transtorno obsessivo-compulsivo ou um transtorno de preferência sexual, como o sadomasoquismo, em que sentem prazer com uma dor que o outro provoca nelas e que elas provocam no outro. A própria pedofilia, o exibicionismo, o voyeurismo podem vir atrelados ao homossexualismo. E têm tratamento. Quando utilizamos as técnicas para minimizar esses problemas, a questão homossexual fica mínima, acaba regredindo

Há estudos que mostram que ser gay não é escolha, é uma questão constitutiva da sexualidade. A senhora acha mesmo possível mudar essa condição?
Cada um faz a mudança que deseja na sua vida. Não sou eu a responsável pela mudança. Conheço pessoas que deixaram as práticas homossexuais. E isso lhes trouxe conforto. Conheço gente que também perdeu a atração homossexual. Essa atração foi se minimizando ao longo dos anos. Essas pessoas deixaram de sentir o desejo por intermédio da psicoterapia e por outros meios também. A motivação é o principal fator para mudar o que quiser na vida.

A senhora é heterossexual?
Sou.

Pela sua lógica, seria razoável dizer que, se a senhora quisesse virar homossexual, poderia fazê-lo.
Eu não tenho essa vivência. O que eu observei ao longo destes vinte anos de trabalho foram pessoas que estavam motivadas a deixar a homossexualidade e deixaram. Eu conheço gente que mudou a orientação sem nem precisar de psicólogo. Elas procuraram grupos de ajuda e amigos e conseguiram deixar o comportamento indesejado. Mas, sem dúvida, quem conta com um profissional da área de psicologia tem um conforto maior. Eu sempre digo que é um mimo você ter um psicólogo para ajudá-lo a fazer essa revisão de vida. As pessoas se sentem muito aliviadas.
Esse alívio não seria maior se a senhora as ajudasse a aceitar sua condição sexual? Esse discurso está por aí, mas não faz parte do grupo de pessoas que eu atendo. Normalmente, elas vêm com um pedido de mudança de vida.

Se um homem entrar no seu consultório e disser que sabe que é gay, sente desejo por outros homens, só precisa de ajuda para assumir perante a família e os amigos, a senhora vai ajudá-lo?
Ele não vai me procurar. Eu escolho os pacientes que vou atender de acordo com minhas possibilidades. Então, um caso como esse, eu encaminharia a outros colegas.

Não é cruel achar que os gays têm alguma coisa errada?
O que eu acho cruel é ser uma profissional que quer ajudar e ser amordaçada, não poder acolher as pessoas que vêm com uma queixa e com um desejo de mudança. Isso é crueldade. Eu estou me sentindo discriminada. Há diversos abaixo-assinados de muitas pessoas que acham que eu preciso continuar a atender quem voluntariamente deseja deixar a atração pelo mesmo sexo.

Por que a senhora acha que o Conselho Federal de Psicologia está errado e a senhora está certa?
Há no conselho muitos homossexuais, e eles estão deliberando em causa própria. O conselho não é do agrado de todos os profissionais. Amanhã ele muda. Eu mesma posso me candidatar e ser presidente do Conselho de Psicologia. Além disso, esse conselho fez aliança com um movimento politicamente organizado que busca a heterodestruição e a desconstrução social através do movimento feminista e do movimento pró-homossexualista, formados por pessoas que trabalham contra as normas e os valores sociais.

Gays existem desde que o mundo é mundo. Aparecem em todas as civilizações. Isso não indica que é um comportamento inerente a uma parcela da humanidade e não deve ser objeto de preconceito?
Olha, eu também estou sendo discriminada. Estou sofrendo preconceito. Será que não precisaria haver mais aceitação da minha pessoa? Há discriminação contra todos. Em 2002, fiz uma pesquisa para verificar as violências que as pessoas costumam sofrer, e o segundo maior número de respostas foi para discriminação e preconceito. As pessoas são discriminadas porque têm cabelo pixaim, porque são negras, porque são gordas. Você nunca foi discriminada?

Não como os gays são. Não? Nunca ninguém a chamou de nariguda? De dentuça? De magrela? O que quero dizer é que as pessoas que estão homossexuais sofrem discriminação como todas as outras. Eu tenho trabalhado pelos que estão homossexuais. Estar homossexual é um estado. As pessoas são mulheres, são homens, e algumas estão homossexuais.

Isso não é discriminação contra os que são homossexuais e gostam de ser assim?
Isso é o que você está dizendo, não é o que a ciência diz. Não há tratados científicos que digam que eles existem. Eu não rotulo as pessoas, não chamo ninguém de neurótico, de esquizofrênico. Digo que estão esquizofrênicos, que estão depressivos. A homossexualidade é algo que pode passar. Há um livro do autor Claudemiro Soares que mostra que muitas pessoas famosas acreditam que é possível mudar a sexualidade. Entre eles Marta Suplicy, Luiz Mott e até Michel Foucault, todos historicamente ligados à militância gay.

Quantas pessoas a senhora já ajudou a mudar de orientação sexual?
Nunca me preocupei com isso. Psicólogo não está preocupado com números. Eu vou fazer isso a partir de agora. Vou procurar a academia novamente. Vou fazer mestrado e doutorado. Até hoje, eu só me preocupei em acolher pessoas.

O que a senhora faria se tivesse um filho gay?
Eu não teria um filho homossexual. Eu teria um filho. Eu iria escutá-lo e tentaria entender o que aconteceu com ele. Os pais devem orientar os filhos segundo seus conceitos. É um direito dos pais. Olha, eu quero dizer que geralmente as pessoas que vivenciam a homossexualidade gostam muito de mim. E também quero dizer que não sou só eu que defendo essa tese. Apenas estou sendo protagonista neste momento da história.

A senhora se considera uma visionária?
Não. Eu sou uma pessoa comum, talvez a mais simplesinha. Não tenho nenhum desejo de ficar famosa. Nunca almejei ir para a mídia, ser artista, ser fotografada.

A senhora já declarou que a maior parte dos homossexuais é assim porque foi abusada na infância. Em que a senhora se baseou?
É fato que a maioria dos meus pacientes que vivenciam a homossexualidade foi abusada, sim. Enquanto nós conversamos aqui, milhares de crianças são abusadas sexualmente. Os estudos mostram que os abusos, especialmente entre os meninos, são muito comuns. Aquelas brincadeiras entre meninos também podem ser consideradas abusos. O que vemos é que o sadomasoquismo começa aí, porque o menino acaba se acostumando àquelas dores. O homossexualismo também.

A senhora é evangélica. Sua religião não entra em atrito com sua profissão?
Não. Sou evangélica desde 1983. Nos anos 70, aconteceu algo muito estranho na minha vida. Eu comprei um disco do Chico Buarque. De um lado estavam as músicas normais dele. Do outro, em vez de tocar Carolina, vinha um chamamento. Eram todas canções evangélicas. Falavam da criação de Deus e do chamamento da ovelha perdida. Fui tentar trocar o LP e, na loja, vi que todos os discos estavam certinhos, menos o meu. Fiquei pensando se Deus estava falando comigo.

O espírito cristão não requer que os discriminados sejam tratados com maior compreensão ainda?
Se eu não amasse as pessoas que estão homossexuais, jamais trabalharia com elas. Até mesmo os ativistas do movimento pró-homossexualismo reconhecem o meu amor por eles. Sempre os tratei muito bem. Sempre os cumprimentei. Na verdade, eles me admiram.

Por que a senhora se disfarça para ser fotografada?
Um dos motivos é que eu não quero entrar no meu prédio e ter o porteiro e os vizinhos achando que eu tenho algum problema ligado à sexualidade. Além disso, quero ser discreta para proteger a privacidade dos meus pacientes. Por fim, há ativistas que têm muita raiva de mim. Eu recebo vários xingamentos; eles me chamam de velha, feia, demente, idiota. Trabalho num clima de medo, clandestinamente, porque sou muito ameaçada. Aliás, estou fazendo esta entrevista e nem sei se você não está a serviço dos ativistas pró-homossexualimo. Eu estou correndo risco.

Que poder exatamente a senhora atribui a esses ativistas pró-homossexualismo?
O ativismo pró-homossexualismo está diretamente ligado ao nazismo. Escrevi um artigo em que mostro que os dois movimentos têm coisas em comum. Todos os movimentos de desconstrução social estudaram o nazismo profundamente, porque compartilham um ideal de domínio político e econômico mundial. As políticas públicas pró-homossexualismo querem, por exemplo, criar uma nova raça e eliminar pessoas. Por que hoje um ovo de tartaruga vale mais do que um embrião humano? Por que se fala tanto em leis para assassinar crianças dentro do ventre da mãe? Porque existe uma política de controle de população que tem por objetivo eliminar uma parte significativa da nação brasileira. Quanto mais práticas de liberação sexual, mais doenças sexualmente transmissíveis e mais gente morrendo. Essas políticas públicas todas acabam contribuindo para o extermínio da população. Essas pessoas que estão homossexuais estão ligadas a todo um poder nazista de controle mundial.

Não há certo exagero em comparar a militância homossexual ao nazismo?
Bom, se você acha que isso pode me prejudicar, então tire da entrevista. Mas é a realidade.