Estudante sofre ataque homofóbico
Agressão contra aluno do curso de Ciências Sociais, provavelmente praticada por grupo skinhead, mobiliza estudantes e entidades sociais. Rapaz terá de passar por cirurgia facial
Publicado em 31/03/2009 Marcos Xavier Vicente
Um aluno do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi brutalmente espancado no último dia 23, por volta das 18 horas, na região do Alto da XV. O estudante foi agredido com socos, pontapés e pedradas por um grupo de aproximadamente dez homens de cabelos raspados, vestindo suspensórios e calçando botas – o que indicaria serem skinheads de orientação neonazista. Com duas fraturas no maxilar, o rapaz – que prestou queixa à polícia e fez exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML) – terá que passar por uma cirurgia facial.
O caso chocou os estudantes de Ciências Sociais, que estão mobilizando alunos de outros cursos, bem como entidades sociais, para um protesto semana que vem contra a homofobia. Na semana passada, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) puniu um aluno do curso de Engenharia que agrediu física e verbalmente um estudante de Artes Visuais por suposta motivação homofóbica. O agressor, cujo nome não foi divulgado, foi expulso do alojamento estudantil.
Denúncia é importante
Movimentos de defesa dos direitos de gays, lésbicas, bissexuais e travestis (GBLT) farão no próximo mês uma campanha para conscientizar as vítimas de agressões sobre a importância de denunciar os casos à polícia. De acordo com o presidente do Centro Paranaense de Cidadania (Cepac), Igo Martini, a maioria das ocorrências deixa de ser registrada pelo medo das vítimas. “Além dos skinheads, são constantes os casos de jovens que de dentro de carros em movimento jogam pedras, ovos ou bolas de borracha contra travestis nas ruas, por exemplo”, cita Martini.
Sem denúncias, aponta o presidente do Cepac, não há como cobrar soluções do poder público. “A polícia não tem como investigar os casos se não houver denúncia.” Portanto, a orientação é de que primeiro o agredido procure o Centro de Referência João Antônio Mascarenhas, de apoio a homossexuais e travestis vítimas de violência e discriminação, que vai indicar um advogado para acompanhá-lo à delegacia. O promotor de Justiça Marcos Fowler, coordenador do Centro Operacional das Promotorias de Direitos Constitucionais do Ministério Público, ressalta que sem as denúncias não há como planejar uma ação coordenada de segurança para este público. “Inclusive por causa desta falta de denúncia muitos agressores são reincidentes, pois se sentem impunes”, aponta o promotor.
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